Impacto da COVID na Economia Brasileira

A doença COVID-19 teve seu advento no ano de 2019, mas foi apenas em 2020 que os impactos do vírus foram sentidos em uma escala global e que ainda está impactando os países do mundo até a data deste artigo.

Jun 3, 2021 - 02:34
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Impacto da COVID na Economia Brasileira
Impacto da COVID na Economia Brasileira

Impacto da COVID na Economia Brasileira

A doença COVID-19 teve seu advento no ano de 2019, mas foi apenas em 2020 que os impactos do vírus foram sentidos em uma escala global e que ainda está impactando os países do mundo até a data deste artigo.

Com relação ao cenário brasileiro, o coronavírus apenou os três setores da economia brasileira, agropecuária, indústria e serviços, de forma variada. É possível dizer que o setor industrial foi o que mais sofreu em um primeiro momento, mas o setor de serviços também foi muito afetado à medida que a pandemia ia se arrastando. No final, o segundo setor fechou o ano com uma queda de 3,5% e o setor de serviços fechou em baixa de 4,5%. Somente o setor de agropecuária pareceu “inabalável” diante da pandemia, sendo o único que apresentou crescimento no ano de 2020, fechando o ano com um aumento de 2%. Infelizmente, esse aumento do primeiro setor não foi o bastante para conter os efeitos da pandemia e a economia brasileira fechou o ano de 2020 em -4,1%, valor mais baixo desde a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que se iniciou em 1996.

 A construção civil foi o setor mais impactado do ramo das indústrias, sofrendo baixa de 7% após uma alta de 1,5% no ano de 2019. Outros setores como água, eletricidade e gestão de resíduos também não escaparam dos efeitos da pandemia sobre suas cadeias de produção.

Já no âmbito dos serviços, é possível citar a área de “outras atividades de serviços” como a que mais sofreu com o vírus, sendo esse setor comtemplado por atividades como restaurantes, bares, academias e hotéis. Ademais, a área de transportes sentiu as vibrações da pandemia, despencando cerca de 9,2% em 2020. É importante dizer, por fim, que o setor de serviços é a principal esfera na composição do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, representando aproximadamente 70% do total.

As classes mais baixas do estrato social foram as que mais sofreram, obviamente, levando a números extremamente altos de pobreza e desemprego na população brasileira. Milhões de brasileiros encontram-se em situação de falta de recursos básicos, impossibilitando até mesmo a segurança alimentar dessas pessoas. De acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, com plano de fundo da pandemia de COVID-19, 19 milhões de pessoas encontram-se em situação de fome. Esse índice era de 10,3 milhões. Ou seja, de 2018 para cá, em um intervalo de apenas dois anos, houve um aumento de 27,6% nesse índice, totalizando quase 9 milhões de novos brasileiros na estrada da fome.

Uma prática muito indecorosa que foi feita no início da pandemia foi o aumento desleal de produtos como álcool gel, máscaras e outros equipamentos de proteção individual (EPI). Isso fez com que muitos não tivessem as mínimas proteções necessárias para ter algum tipo de resguardo contra a pandemia e pode ter significado um ponto importante para a piora do número de casos em um longo prazo. Juntamente com isso, a conduta da desinformação machucou a economia brasileira, porque a banalização da gravidade da doença deixou muitas pessoas em um estado de negacionismo em relação à pandemia, o que fez com que a doença se espalhasse de forma mais rápida pelo país. E os seus efeitos, como já vistos acima e como serão mostrados abaixo, influenciaram diretamente na piora de todas as esferas do país, o que incluí, claro, a esfera econômica.

O fechamento das escolas contribuiu para a piora desse índice, uma vez que um porcentual significativo das pessoas se alimentava através da merenda escolar, especialmente alunos da rede pública. Outro fator que somou ao cenário de fome foi a questão da inflação. A alta de preços dos alimentos básicos, como arroz, feijão, óleo, fez com que o conteúdo do prato dos brasileiros fosse encolhendo mês a mês. Além disso, a falta de alimentação gera um déficit natural no sistema imunológico da população e, portanto, colabora com a piora no quadro pandêmico. De acordo com um estudo realizado na Universidade da Califórnia, indivíduos que passaram fome durante suas infâncias estavam mais sujeitos a desenvolver doenças como diabetes e osteoporose, por exemplo. Portanto, é inegável o impacto desses fatores para a piora da pandemia e, por consequência, a piora da situação econômica do país.

Vale ressaltar ainda que a falta de um auxílio emergencial para a população mais carente também foi fundamental para o aumento da pobreza e fome no país. Muitas famílias dependiam exclusivamente desse valor para o sustento de seus familiares e, sem esse apoio, muitos se viram em situação de rua, despejados dos seus lares, e passando fome.

Por sua vez, o desemprego, que já vinha em uma crescente nos últimos anos, teve uma forte ascensão durante a pandemia de coronavírus. O terceiro semestre de 2020 registrou um total de 14,1 milhões de desempregados. Somado a isso, a contabilização das mortes só cresce, o que agrava o quadro econômico por diversos fatores, uma vez que o estresse no sistema de saúde é refletido nas outras áreas da economia, causando um efeito cascata nos cofres públicos. Até a presente data desse artigo, já são mais de 450 mil brasileiros mortes em decorrência da pandemia que atinge o Brasil.

Porém, nem tudo é sinônimo para desespero e perda de esperança. Há previsões para um crescimento no ano de 2021 apesar do quadro pandêmico ter se agravado no começo do primeiro semestre desse ano e das restrições de circulação que entram e saem de cena. Tudo depende do avanço da campanha de vacinação, porque ela é a medida mais eficaz para se combater o vírus. À medida que mais pessoas são vacinadas, a pressão no sistema de saúde vai diminuindo e, com ela, os demais setores econômicos também podem respirar. Segundo dados mais recentes, 26,4% da população de mais de 210 milhões de brasileiros já receberam a primeira dose da vacina e 13% já receberam a segunda dose do imunizante. Há esperança que tempos melhores virão e, com eles, tempos de prosperidade.

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