Inflação do verão: produtos e serviços consumidos na estação ficam 16% mais caros, aponta XP

Avanço dos preços superou o do IPCA, que ficou em 5,8% no acumulado de 2022. Sorvete foi um dos produtos que mais encareceu, com alta de 20,1% nos preços. Erwan Hesry / Unsplash Os consumidores devem gastar mais para conseguir aproveitar o verão neste início do ano. Segundo um levantamento feito pela XP Investimentos, os preços dos produtos e serviços mais consumidos durante a estação subiram 16,6% no acumulado de 2022 em relação a 2021 – bem acima da inflação oficial do país (IPCA), que fechou o ano passado em 5,8%. De acordo com o levantamento, os principais vilões do orçamento foram passagens aéreas, que registraram um avanço de 23,5% dos preços na mesma base de comparação. Em seguida, vieram sorvete (20,1%), hospedagem (18,2%), pacotes turísticos (17,2%) e água e refrigerante (12,4%). Segundo a economista da XP, Tatiana Nogueira, apesar de a expectativa ser que a inflação continue em patamares elevados ao longo deste ano, a estimativa é que os preços tenham altas mais brandas do que as observadas em 2022. “Parte da elevação recente foi para corrigir custos represados. A passagem aérea, por exemplo, deve subir bem menos este ano do que em 2022, mas ainda fica com variação positiva”, afirma. LEIA TAMBÉM: O ano da inflação: relembre vilões, causas e impactos do aumento de preços em 2022 Inflação, juros e o voo da galinha: veja, em 8 gráficos, a retrospectiva da economia brasileira em 2022 Nesse caso, a economista explica que outros fatores também devem influenciar nos preços, como os preços dos combustíveis, por exemplo. Segundo Nogueira, as companhias aéreas têm alegado que os cortes nos preços de querosene de aviação – foram cinco consecutivos nos últimos meses – ainda não foram suficientes para compensar a alta do custo dos últimos anos. Além disso, diz a especialista, essas empresas também sofreram bastante durante a pandemia, em meio às medidas de restrição de mobilidade e com o cancelamento de viagens. “Eles ainda estão lutando para contornar os prejuízos do período”, acrescenta. Já para os próximos meses, a expectativa da economista é que os preços desacelerem – reflexo do consumo menor, das vendas mais fracas do que o esperado no final do ano passado e das promoções para reduzir estoques, que já tiveram início neste ano. “A demanda não cai só porque o crédito está mais caro e com o poder de compra do brasileiro diminuindo. O fato é que São Pedro deu uma ajudinha, com temperaturas mais baixas neste verão”, diz Nogueira.

Jan 23, 2023 - 21:00
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Inflação do verão: produtos e serviços consumidos na estação ficam 16% mais caros, aponta XP

Avanço dos preços superou o do IPCA, que ficou em 5,8% no acumulado de 2022. Sorvete foi um dos produtos que mais encareceu, com alta de 20,1% nos preços. Erwan Hesry / Unsplash Os consumidores devem gastar mais para conseguir aproveitar o verão neste início do ano. Segundo um levantamento feito pela XP Investimentos, os preços dos produtos e serviços mais consumidos durante a estação subiram 16,6% no acumulado de 2022 em relação a 2021 – bem acima da inflação oficial do país (IPCA), que fechou o ano passado em 5,8%. De acordo com o levantamento, os principais vilões do orçamento foram passagens aéreas, que registraram um avanço de 23,5% dos preços na mesma base de comparação. Em seguida, vieram sorvete (20,1%), hospedagem (18,2%), pacotes turísticos (17,2%) e água e refrigerante (12,4%). Segundo a economista da XP, Tatiana Nogueira, apesar de a expectativa ser que a inflação continue em patamares elevados ao longo deste ano, a estimativa é que os preços tenham altas mais brandas do que as observadas em 2022. “Parte da elevação recente foi para corrigir custos represados. A passagem aérea, por exemplo, deve subir bem menos este ano do que em 2022, mas ainda fica com variação positiva”, afirma. LEIA TAMBÉM: O ano da inflação: relembre vilões, causas e impactos do aumento de preços em 2022 Inflação, juros e o voo da galinha: veja, em 8 gráficos, a retrospectiva da economia brasileira em 2022 Nesse caso, a economista explica que outros fatores também devem influenciar nos preços, como os preços dos combustíveis, por exemplo. Segundo Nogueira, as companhias aéreas têm alegado que os cortes nos preços de querosene de aviação – foram cinco consecutivos nos últimos meses – ainda não foram suficientes para compensar a alta do custo dos últimos anos. Além disso, diz a especialista, essas empresas também sofreram bastante durante a pandemia, em meio às medidas de restrição de mobilidade e com o cancelamento de viagens. “Eles ainda estão lutando para contornar os prejuízos do período”, acrescenta. Já para os próximos meses, a expectativa da economista é que os preços desacelerem – reflexo do consumo menor, das vendas mais fracas do que o esperado no final do ano passado e das promoções para reduzir estoques, que já tiveram início neste ano. “A demanda não cai só porque o crédito está mais caro e com o poder de compra do brasileiro diminuindo. O fato é que São Pedro deu uma ajudinha, com temperaturas mais baixas neste verão”, diz Nogueira.
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